sexta-feira, 6 de abril de 2018

Culpa e pecado

Confesso que depois de meu último post hesitei um pouco antes de escrever sobre esse tema, pois não sabia como abordá-lo sem ferir suscetibilidades. Mas não tem como fazer muitas digressões a respeito, então vou resumir meu pensamento da seguinte forma: se você tem prevenções religiosas, se imagina que a prática de bondage é algo pecaminoso, que vai atrasar seus esforços espirituais, é melhor não praticá-lo. Pecado e culpa não são elementos que ficam bem juntos, como feijão e arroz ou goiabada com queijo.

Entre as inúmeras religiões do planeta, há várias que seguem um código de conduta (que pode ser ou não fruto de revelações) em direção a níveis de espiritualidade mais elevados. Todas as religiões derivadas do Cristianismo se enquadram nesse quesito. As religiões de matriz africana, por outro lado, se caracterizam por serem amorais, ou seja, não dispõem desses códigos de conduta, e, portanto, desconhecem a noção de "pecado" (o que não significa que sejam imorais, bem entendido). O mesmo babalaô do Vudu, da Santeria ou do Palo Mayombe que faz um trabalho para restaurar a saúde de um consulente pode, em outras circunstâncias, realizar um trabalho para prejudicar outro consulente, ou o mesmo.

Daí se depreende que, se um fiel da Igreja Católica Apostólica Romana ou das inúmeras seitas protestantes praticar bondage estará violando o nono mandamento ("Não pecar contra a castidade"). Um adepto do Candomblé, por outro lado, não terá nenhum pudor a respeito. Isso, é claro, se consideramos a palavra "fiel", porque na "geleia geral" que é o Brasil, se vê de tudo: tem católico praticante que é maçom, umbandista que frequenta missas, judeu que se diz espírita, evangélica que consulta cartomantes, católico que vai à missa aos domingos e às sextas-feiras ao Candomblé, enfim, vale tudo nesta salada generalizada que é nosso país. Como escreveu o cronista Gaspar Barléu em 1641: "Ultra aequinoxialem non peccari". Não existe pecado ao sul do Equador.

O importante é que o bondage seja algo prazeroso, e não que gere qualquer forma de culpa, que a pessoa acredite estar violando algum mandamento ou insultando de alguma forma o(s) deus(es) que cultua. É claro que tudo isso dentro das regras do bom senso e fazendo com que a prática seja um aspecto da vida do indivíduo, não a totalidade de sua existência. Lembrando o post anterior, é inegável que existem hoje em dia muitos viciados em pornografia, que precisam de tratamento especializado, pois as imagens eróticas acabaram por adquirir uma proporção exagerada em suas vidas. Espero que isso nunca aconteça com ninguém com relação ao bondage. Posso estar sendo radical, mas se a pessoa não sente prazer no sexo "normal" (digamos) e precisa necessariamente que a(o) parceira(o) esteja sempre imobilizada(o), talvez fosse o caso de repensar seu posicionamento com relação ao fetiche. Não que eu pense que tais pessoas estejam psicologicamente perturbadas, até porque já pensei em bondage nas situações mais inusitadas possíveis, mas não é porque estou comendo um sanduíche que penso na mortadela amarrada no teto de uma cantina italiana.

Se você não acha que bondage vai fazer sua alma imortal arder no forno da pizzaria do inferno, atrair maus espíritos, prejudicar sua concentração meditativa, fazer seu anjo da guarda corar de vergonha ou fazer você reencarnar numa atriz pornô que é sempre escalada para cenas de gangbanging com nigerianos, então, seja feliz com seu fetiche, sem culpas ou encanações indevidas. Lembre-se da frase de Gaspar Barléu. Ou Caspar Barlaeus, como se diz em latim.

sábado, 13 de janeiro de 2018

Sites

Quem me conhece sabe que não costumo gastar horas na internet, pois sempre vou preferir a companhia de um bom livro. Daí porque não fico pulando de site em site de vídeos eróticos grátis ou, mais especificamente, de bondage.

Eu diria que meu site favorito em matéria de bondage é o BoundHub. O Bondage Tube também é interessante, mas pelo fato de os vídeos serem mais focados no BDSM, prefiro o BoundHub, que tem vídeos muito mais atraentes para mim.

Em matéria de pornô "não-específico", praticamente só acesso dois sites: XVideos e NudeVista, que são até complementares. Muito eventualmente acesso o Pornhub, que também é interessante, mas os dois anteriores são mais completos.

Fora esses, em matéria de internet em geral, recomendo todos os sites do VH Carioca, que, aliás, também tem conta no Facebook.

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Bondage Meditativo


Ao contrário do que os meus dois ou três leitores podem pensar, eu não abandonei este singelo blog. Conforme publiquei no Facebook, estou com problemas para migrá-lo para o Tumblr e, além disso, 2017 foi um ano marcado por problemas pessoais que não me permitiram tranquilidade suficiente para atualizar este "divã de psicanalista virtual". Espero que agora, em 2018, as coisas melhorem em todos os sentidos. Sempre temos esperanças renovadas na passagem de ano e desta vez não é diferente. 

Para este primeiro post do novo ano, gostaria de mencionar uma reportagem curiosa que li recentemente sobre uma prática intitulada "Bondage Meditativo", divulgada por um americano de nome Orpheus Black, que se autointitula "educador sexual", "filósofo urbano" e "líder espiritual". Só faltou se intitular "ativista quântico". Pelo que entendi da coisa, ele mistura conceitos tântricos com BDSM, para defender a ideia de que o bondage pode conter um aspecto semelhante à meditação. A prática, aliás, não envolve relação sexual. Na minha opinião, marketing puro, mas não é uma ideia totalmente delirante, e explico o porquê. 

Sempre digo que ficar imobilizada não é bolinho. Para se entregar totalmente às práticas de bondage, e aproveitar ao máximo a experiência, a mulher tem de ter um certo nível de estabilidade emocional e uma consciência corporal bem grande, pois do contrário, na hora em que perceber que está totalmente indefesa, vai entrar em pânico. Dependendo da ocasião, o resultado pode até ter consequências graves. 

Não estou convencida de que a prática do bondage em si levaria a um estado semelhante à meditação, mas que a meditação pode ajudar bastante o bondage, isso posso atestar por experiência pessoal. Sou praticante de Meditação Anapana, uma forma de meditação budista que se caracteriza por concentrar a mente na respiração e nas sensações corporais, e garanto que essa técnica é muito útil quando se fica imobilizada por longo tempo.

Depois de me debater tentando me livrar do que me constrange (cordas, algemas, ataduras de crepom, "duct tape"...), e repetir a experiência várias vezes depois de períodos de descanso, chega uma hora que o corpo esgota sua cota de energia. Se eu ficar imobilizada por um tempo que considero mais longo (algo variável, dependendo do dia e das circunstâncias), eu foco minha mente nas sensações corporais, o que é altamente prazeroso, num aspecto mais sutil.

Quando me concentro no momento presente - nas sensações do corpo durante a imobilização, nos aspectos físicos do que me imobiliza, nas variações de temperatura, nos pequenos tremores musculares involuntários, nos arrepios da pele, entre outros aspectos - minha consciência sensorial se amplia e fico muito mais sensível. Garanto que é muito mais prazeroso do que ficar divagando mentalmente ou ser invadida pelo tédio, imaginando se falta muito tempo para ser libertada. Essa técnica já me ajudou a ficar imobilizada noites inteiras, sem problemas, a não ser, é claro, a dormência natural dos membros na posição escolhida. Mentalmente, no entanto, eu estava bem tranquila.

Portanto, ainda que não tenha visto muitas vantagens no método do Orpheus Black, recomendo vivamente aliar o bondage a alguma prática meditativa. Não sei se a pessoa vai virar um Buda em hogtie, mas você pode aproveitar muito mais a prática aliando as duas técnicas. Fica a dica para este ano de 2018 que recém começa. Aliás, que ele traga tudo de bom para nós todas(os) e muito bondage para quem curte o tema.

domingo, 16 de julho de 2017

Dicas para imobilizar a namorada


Para não dizerem que trato do assunto apenas sob a ótica feminina, e respondendo a alguns homens que já me escreveram a respeito, vou enumerar umas poucas dicas que talvez possam ser úteis para aqueles que quiserem praticar bondage com suas respectivas namoradas. No caso, elas imobilizadas: 

1) Pode parecer ingênuo escrever isso, mas se em alguma ocasião você der um beijo mais caliente em sua namorada, segure os pulsos ou os braços dela com certa firmeza. Se ela não tentar se soltar imediatamente, é porque ela gosta de uma pegada firme (ao menos de vez em quando), o que facilita uma posterior abordagem do assunto bondage. Só procure não fazer isso em público ou em lugar muito iluminado, pois alguém pode pensar que você a está assediando ou algo assim, e chamar a polícia. Do jeito que as coisas andam, melhor não transmitir falsas impressões.

2) Seja discreto e não vá logo dizendo: "Queria te ver toda amarradinha", "Sabe o que ficaria bem em você? Algemas" ou mostrar a ela no iPad o que significa hogtie, pois é quase certo que isso iria apenas espantá-la, e suas chances de imobilizá-la seriam tão grandes quanto as de encontrar um santo no Congresso Nacional. Entendam que nós, mulheres, somos mais sutis do que os homens e abordagens tão "cruas" como essas gerariam o efeito oposto ao que você pretende.

3) Procure assistir a filmes ou séries em que aparecem mulheres imobilizadas e mencione en passant - na hora da cena ou algum tempo depois - o quanto você acha aquilo sexy. O problema é que em quase 100% dessas cenas as personagens estão sofrendo alguma forma de violência, o que desestimularia qualquer mulher sensata em experimentar algo semelhante. E ainda por cima faria você ficar, aos olhos dela, com a imagem de pervertido perigoso. 

4) Fazendo um upgrade na dica numero 1: na hora de transar, dependendo da posição, segure os pulsos dela acima da cabeça ou nas costas, por algum tempo. Podem ser os braços, também. Quanto mais tempo ela se deixar agarrar dessa forma sem tentar se soltar, mais receptiva ela talvez venha a ser para uma imobilização mais elaborada. 




5) Depois de usar as mãos em algumas transas, sugerir "como quem não quer nada" que vocês podiam apimentar o sexo usando um lenço ou um cinturão para amarrar os pulsos dela, ou uma algema de pelucia, dessas que são o feijão com arroz dos sex shops. Se ela ficar indignada com a sugestão, se benzer ou apontar um crucifixo para você e jogar água benta, desista. Mude de assunto e dê-lhe um chocolatinho, pois o bondage sem dúvida não é o brinquedo favorito dela. Se, no entanto, ela quiser experimentar, ja é meio caminho andado. Se ela apenas achar interessante e não prolongar o tema, não insista. Volte ao assunto, sutilmente, em outra ocasião. 

6) Se ela topar algo nesse sentido, pergunte - com sinceridade e enfaticamente - se ela não esta querendo fazer isso somente para agradar você. Bondage é algo extremamente intimo e que possui um inegável toque de insegurança, pois pois a mulher se coloca inteiramente nas mãos de quem vai imobilizá-la, ainda mais na primeira vez. Se ela fizer isso apenas para agradar você, pode acreditar, não fará isso outras vezes. Ou, no máximo, umas poucas vezes, até confessar a você que essa não é a praia dela. Seja como for, fazer algo somente por obrigação é muito desagradável, e o correto na área do bondage é que ambos os parceiros sintam prazer, não apenas um.

7)  Se ela aceitar ser imobilizada, por favor, nada de malabarismos; não na primeira vez. Esqueça aquele hogtie super elaborado que você viu em algum blog, não a amarre em espacate, não a imobilize numa posição que lhe cause câimbras (ou em alguma posição que só mesmo um artista do "Cirque du Soleil" conseguiria ficar), apague da sua mente o significado de  shibari e nem pense em suspensão, sex toys barra pesada (tipo chicotes, nipple clamps ou butt plug) ou qualquer parafernália BDSM. Se você quiser tirar onda de Christian Grey logo na primeira experiência, quase certamente só o que vai conseguir é assustar sua namorada, e aí ela nunca mais se deixará ser imobilizada novamente. E pior, seu relacionamento periga passar de "50 Tons de Cinza" para "Titanic". Vá com calma na primeira vez, para que você garanta a existência de uma segunda ou terceira vez. No mínimo.



8) Por fim, pode parecer estranho o que vou escrever agora, mas eu evitaria fazer sexo com ela depois de imobilizada, a menos que ela declarasse expressamente - antes, ou mesmo durante - que ela quer transar daquele jeito. É que nos mulheres temos um registro multimilenar de violência sexual, e a simples ideia de sermos imobilizadas já remete a estupro. Eu sugeriria, numa primeira ocasião, apenas fazê-la sentir-se bem, com uma massagem suave por todo o corpo, carícias nos seios e, se ela topasse, algum sexo oral. Se ela realmente quiser, pode rolar penetracão, mas nada de sexo brutal, rough sex ou coisa que o valha, por mais excitado que você esteja. A ideia é deixá-la absolutamente confortável com o bondage, de modo que ela queira fazer isso novamente, e não traumatizá-la pelo resto da vida.

Enfim, espero que essas singelas dicas (extraídas do bom senso) sejam úteis para alguém. Se a namorada do imaginario leitor a quem me dirigi neste post topar uma sessão de bondage, todo um universo de prazer se abrirá para o casal. Caso alguém consiga ser bem sucedido usando essas dicas, ou mesmo se pretende usá-las em seus relacionamentos, me conte nos comentários, por favor. Adoro receber feedbacks.