domingo, 16 de julho de 2017

Dicas para imobilizar a namorada


Para não dizerem que trato do assunto apenas sob a ótica feminina, e respondendo a alguns homens que já me escreveram a respeito, vou enumerar umas poucas dicas que talvez possam ser úteis para aqueles que quiserem praticar bondage com suas respectivas namoradas. No caso, elas imobilizadas: 

1) Pode parecer ingênuo escrever isso, mas se em alguma ocasião você der um beijo mais caliente em sua namorada, segure os pulsos ou os braços dela com certa firmeza. Se ela não tentar se soltar imediatamente, é porque ela gosta de uma pegada firme (ao menos de vez em quando), o que facilita uma posterior abordagem do assunto bondage. Só procure não fazer isso em público ou em lugar muito iluminado, pois alguém pode pensar que você a está assediando ou algo assim, e chamar a polícia. Do jeito que as coisas andam, melhor não transmitir falsas impressões.

2) Seja discreto e não vá logo dizendo: "Queria te ver toda amarradinha", "Sabe o que ficaria bem em você? Algemas" ou mostrar a ela no iPad o que significa hogtie, pois é quase certo que isso iria apenas espantá-la, e suas chances de imobilizá-la seriam tão grandes quanto as de encontrar um santo no Congresso Nacional. Entendam que nós, mulheres, somos mais sutis do que os homens e abordagens tão "cruas" como essas gerariam o efeito oposto ao que você pretende.

3) Procure assistir a filmes ou séries em que aparecem mulheres imobilizadas e mencione en passant - na hora da cena ou algum tempo depois - o quanto você acha aquilo sexy. O problema é que em quase 100% dessas cenas as personagens estão sofrendo alguma forma de violência, o que desestimularia qualquer mulher sensata em experimentar algo semelhante. E ainda por cima faria você ficar, aos olhos dela, com a imagem de pervertido perigoso. 

4) Fazendo um upgrade na dica numero 1: na hora de transar, dependendo da posição, segure os pulsos dela acima da cabeça ou nas costas, por algum tempo. Podem ser os braços, também. Quanto mais tempo ela se deixar agarrar dessa forma sem tentar se soltar, mais receptiva ela talvez venha a ser para uma imobilização mais elaborada. 




5) Depois de usar as mãos em algumas transas, sugerir "como quem não quer nada" que vocês podiam apimentar o sexo usando um lenço ou um cinturão para amarrar os pulsos dela, ou uma algema de pelucia, dessas que são o feijão com arroz dos sex shops. Se ela ficar indignada com a sugestão, se benzer ou apontar um crucifixo para você e jogar água benta, desista. Mude de assunto e dê-lhe um chocolatinho, pois o bondage sem dúvida não é o brinquedo favorito dela. Se, no entanto, ela quiser experimentar, ja é meio caminho andado. Se ela apenas achar interessante e não prolongar o tema, não insista. Volte ao assunto, sutilmente, em outra ocasião. 

6) Se ela topar algo nesse sentido, pergunte - com sinceridade e enfaticamente - se ela não esta querendo fazer isso somente para agradar você. Bondage é algo extremamente intimo e que possui um inegável toque de insegurança, pois pois a mulher se coloca inteiramente nas mãos de quem vai imobilizá-la, ainda mais na primeira vez. Se ela fizer isso apenas para agradar você, pode acreditar, não fará isso outras vezes. Ou, no máximo, umas poucas vezes, até confessar a você que essa não é a praia dela. Seja como for, fazer algo somente por obrigação é muito desagradável, e o correto na área do bondage é que ambos os parceiros sintam prazer, não apenas um.

7)  Se ela aceitar ser imobilizada, por favor, nada de malabarismos; não na primeira vez. Esqueça aquele hogtie super elaborado que você viu em algum blog, não a amarre em espacate, não a imobilize numa posição que lhe cause câimbras (ou em alguma posição que só mesmo um artista do "Cirque du Soleil" conseguiria ficar), apague da sua mente o significado de  shibari e nem pense em suspensão, sex toys barra pesada (tipo chicotes, nipple clamps ou butt plug) ou qualquer parafernália BDSM. Se você quiser tirar onda de Christian Grey logo na primeira experiência, quase certamente só o que vai conseguir é assustar sua namorada, e aí ela nunca mais se deixará ser imobilizada novamente. E pior, seu relacionamento periga passar de "50 Tons de Cinza" para "Titanic". Vá com calma na primeira vez, para que você garanta a existência de uma segunda ou terceira vez. No mínimo.



8) Por fim, pode parecer estranho o que vou escrever agora, mas eu evitaria fazer sexo com ela depois de imobilizada, a menos que ela declarasse expressamente - antes, ou mesmo durante - que ela quer transar daquele jeito. É que nos mulheres temos um registro multimilenar de violência sexual, e a simples ideia de sermos imobilizadas já remete a estupro. Eu sugeriria, numa primeira ocasião, apenas fazê-la sentir-se bem, com uma massagem suave por todo o corpo, carícias nos seios e, se ela topasse, algum sexo oral. Se ela realmente quiser, pode rolar penetracão, mas nada de sexo brutal, rough sex ou coisa que o valha, por mais excitado que você esteja. A ideia é deixá-la absolutamente confortável com o bondage, de modo que ela queira fazer isso novamente, e não traumatizá-la pelo resto da vida.

Enfim, espero que essas singelas dicas (extraídas do bom senso) sejam úteis para alguém. Se a namorada do imaginario leitor a quem me dirigi neste post topar uma sessão de bondage, todo um universo de prazer se abrirá para o casal. Caso alguém consiga ser bem sucedido usando essas dicas, ou mesmo se pretende usá-las em seus relacionamentos, me conte nos comentários, por favor. Adoro receber feedbacks.