segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Mensagem aos visitantes

O bondage é um fetiche de caráter sexual, que visa a restrição dos movimentos de uma outra pessoa ou de si mesma por intermédio de cordas, algemas, fita adesiva, tecidos e tudo mais o que a imaginação conceber. Pode ser acompanhada de vendas para os olhos e/ou de mordaças para a boca. No caso de um indivíduo restringir seus próprios movimentos, a prática recebe o nome de "self-bondage". Todos os termos desse fetiche, bem como de outros tantos de caráter diferente, estão normalmente em inglês, porque os norte-americanos foram os primeiros a classificar os diferentes fetiches humanos. (Coisa de anglo-saxões e sua mania de sistematizar o mundo...)
Quando eu entrei no site de relacionamentos Orkut, uma das primeiras providências foi esclarecer, no meu perfil, que sou praticante de "nude bondage". A definição desse fetiche é simples: "Nude bondage" é quando a pessoa se dedica à prática do bondage estando sem roupa. Minha postura pessoal no tocante a esse fetiche é, no entanto, um pouco mais complexa. Antes de mais nada, devo esclarecer que quando eu digo "sem roupa", eu quero dizer totalmente nua. Não no sentido americano (e puritano) do termo, em que uma mulher de calcinha e sutiã é consideranda nua, mas sim totalmente despida, inclusive sem os brincos.
Mas a questão mais importante no que diz respeito a mim é o problema dos "rituais" que envolvem a prática do bondage. Para a quase totalidade das pessoas, o bondage é indissociável do universo sado-masoquista, o célebre BDSM (sigla para "Bondage, Dominação e Sado-Masoquismo"). E no BDSM, o bondage é sempre executado no âmbito de rituais de dominação e submissão, que no Brasil são conhecido como "liturgia". Ou seja, a prática da imobilização de outra pessoa é quase sempre acompanhada de uma espécie de encenação Ademais, freqüentemente essa prática envolve algum nível de violência, em grau maior ou menor e com características diferentes. Claro que tudo o que eu acabei de mencionar é consensual e atende aos fetiches e necessidades psicológicas dos respectivos parceiros, mas comigo não é assim.
Em primeiro lugar, minha satisfação pessoal no bondage consiste em ser de imobilizada de alguma forma (sendo ou não vendada e/ou amordaçada), mas sem qualquer "ritual", "liturgia" ou encenação de qualquer espécie. Ou seja, a imobilização em si já me dá a satisfação psicológica que eu preciso, sem acréscimos "teatrais". Em segundo lugar, não gosto de sentir dor, estando ou não em bondage, portanto, eu rejeito qualquer forma de castigo físico como chicotadas, spanking, canning, branding ou seja lá o que existir nessa área, pois tudo isso elimina minha excitação. Exotismos como suspensão ou shibari também não são a minha praia. Por fim, ao contrário de várias bondagettes que preferem apenas a prática em si, eu me satisfaço muito mais se meu parceiro fizer sexo comigo enquanto estou em bondage. De preferência "sexo selvagem", com uma pegada firme, o que passa muito longe de violência pura e simples. Vale dizer que, enquanto eu estou em bondage, eu não fico em posição passiva, mas ao contrário, eu me debato incessantemente, até o limite das minhas forças, para me livrar daquilo que me constrange (sejam cordas, faixas, ou o que for).
Outro aspecto importante é o fato de que eu só pratico isso com namorados confiáveis e que gostem da coisa. Como eu não pertenço ao universo BDSM, por causa das peculiaridades do meu fetiche, eu nunca, jamais procuro parceiros para isso em comunidades BDSM na internet ou em locais específicos para fetichistas. Prefiro descobrir meus parceiros de bondage entre meus namorados comuns, depois de conhecê-los profundamente e de verificar se eles são suficientemente confiáveis para praticar isso comigo, já que não é tão simples colocar sua integridade física nas mãos de outra pessoa. Se eles já têm alguma tendência para a prática do bondage, um empurrãozinho e eles se tornam adeptos fervorosos. Minha experiência me convenceu que boa parte dos homens sente um tesão enorme ao ver uma mulher nua imobilizada. Se eles ainda não tem essa tendência por falta de oportunidade, mas são curiosos a respeito ou ficam excitados com tal prática, eu os convenço diplomaticamente a praticarem com regularidade; comigo, é claro. Mas se por algum motivo eles rejeitam isso, eu nunca insisto e continuo meu relacionamento normalmente. Um dos poucos orgulhos que tenho na vida é o de dizer que nunca terminei um namoro por meu namorado não gostar de bondage.
Enfim, neste meu primeiro post eu quis deixar bem claro minha posição a respeito do meu único fetiche, o "nude bondage". Espero que isso me poupe de mal entendidos, convites ridículos e cantadas bregas, e que me traga a simpatia de mais pessoas que se identificam com minha proposta quanto ao fetiche. Mas não é apenas sobre bondage que vou escrever neste blog. Além de histórias pessoais sobre minha experiência de bondagette, pretendo escrever a respeito de tudo: livros, filmes, músicas, impressões pessoais sobre o cotidiano, etc, etc. É claro que o bondage sempre terá um lugar de destaque por aqui, mas ele não será o único assunto.
Em tempo: com a vida corrida que eu levo, não prometo atualizar este blog com a freqüência desejada, mas sempre postando alguma coisa. A todos(as) que visitarem este espaço virtual, sejam bem vindos(as) e divirtam-se.

8 comentários:

bill bill disse...

Valéria, você já se relacionou sexualmente estando amordaçada com fita adesiva (tape gagged) , ou bola (ball gagged)com algum namorado?
Se possivel, comente...
Se não for, desculpe-me

Valeria disse...

bill bill, eu já me relacionei sexualmente várias vezes estando amordaçada com fita adesiva, mas confesso que não gosto de "ball gag". Primeiro, porque não gosto de ficar babando, e segundo, porque o tamanho das bolas segue sempre o padrão norte-americano, que eu considero muito grande, o que me causa bastante desconforto.
No mais, obrigada pelo primeiro comentário. Bjos!

bill bill disse...

Valéria, já teve algum namorado, que gostava de te amarrar e amordaçar, ou você sempre dava um empurrãozinho, ou seja o fetiche sempre foi teu, ou você já conheceu alguns "Mauricios, tarados por mordaça?"

Valeria disse...

bill, como eu não procuro namorados com o objetivo exclusivo de praticar bondage, eu normalmente dou um "empurrãozinho". Mas também encontrei alguns (raros) carinhas que já gostavam da coisa, só que eles não tinham com quem praticar, seja porque as namoradas não topavam, seja porque eles ficavam encabulados demais pra pedir isso a elas (com medo que elas os considerassem psicopatas).

bill bill disse...

Valéria, o que você acha da simulação de um rapto, você já fez essa brincadeira com seu parceiro, é super super, só que o lance é programar a brincadeira, sempre com o consentimento dos dois é claro, e aí, esquecer, quando você menos esperar, o cara te rapta, te põe dentro do porta-malas de um carro te leva pro cativeiro e te força (sentido figurado) a fazer nude-bondage com ele...
Por falar em rapto, alguém já te tapou a boca com a mão (os norte-americanos chamam de "hand gagged")é uma saída, caso na hora da transa, vocês não tenham mordaças.
Beijocas "bill"

Valeria disse...

A "hand gagged" é uma das praticas mais simples em matéria de bondage e... sim, eu já transei com a boca tapada dessa forma mais de uma vez, e nem sempre imobilizada.
Quanto ao rapto simulado, eu nunca fiz, mas como tem uma variação desse fetiche que eu gostaria de experimentar (a única, aliás) e é meio longa de explicar aqui, prefiro te mandar uma mensagem pelo Orkut descrevendo isso, OK? Bjos e um ótimo Natal pra você!

bill disse...

valeria, sabe quais seriam as primeiras palavras que uma pessoa te diria ao te encontrar?
"olá, como vai", ou ainda "bom dia Valeria, tudo bem?"...
Agora sabe quais seriam as minhas primeiras palavras pra você ?
"Valeria, vou te amordaçar !!!" rsrsrs...
abraços gata, te curto.

Valeria disse...

"Valeria, vou te amordaçar" é ótima! Essa podia ser a saudação-padrão dos adeptos do bondage.(rs) Bjos!