quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Riscos de bondagette (sexo oral)


Mais de uma vez eu já deixei claro por aqui que a vida de bondagette não é só um mar de rosas (ou um "oceano de prazeres", para fugir um pouco do clichê). O fato de uma pessoa estar imobilizada, ainda que de forma consensual, a deixa - de fato - inteiramente à mercê da outra pessoa que a imobilizou. Daí ser fundamental a escolha do(a) parceiro(a) que vai nos imobilizar, pois do contrário poderemos ser submetidas a determinadas experiências não muito agradáveis, decorrentes não apenas dos aspectos técnicos da prática, mas sobretudo vontade do outro. Algumas dessas experiências podem ser apenas desconfortáveis, outras podem representar verdadeiro perigo de vida. Aproveitando o tema do post anterior, vou narrar aqui uma experiência acontecida comigo anos atrás, que felizmente ficou apenas no terreno das ocorrências desagradáveis.

Uma das práticas sexuais que eu não tenho problema em protagonizar é o sexo oral; e nesse aspecto eu não estou sozinha. Gosto muito de receber, mas também nunca me recuso a oferecer. Minha única restrição a respeito é que eu não gosto que ejaculem na minha boca, por sinal uma das grandes fantasias masculinas, talvez derivada dos filmes pornô americanos. Não é apenas pela possibilidade de contrair alguma DST, pois sou daquelas que exige até exame médico específico do parceiro, mas principalmente pela... gastura. Não é sequer nojo ou repulsa moral, mas é gastura mesmo, pela consistência e gosto do sêmen. Sem falar que fica difícil retirar todos os "resíduos" da boca e dos dentes, quando se usa apenas a própria língua. Enfim, eu não gosto e gosto é uma coisa subjetiva. Quanto à essa repulsa, aliás, eu também não estou sozinha.

Pois bem, certa vez eu tive um namorado que insistia em tentar ejacular na minha boca e eu sempre recusava, nunca chegando às vias de fato em matéria de sexo oral. Uma vez que eu o havia "convertido" ao nude bondage, em determinada ocasião fui amarrada e amordaçada por ele e fiquei me contorcendo sobre a cama para tentar (inutilmente) me livrar das amarras, como sempre faço. Ele ficou no quarto me observando, até que depois de um bom tempo ele ficou totalmente nu e subiu na cama. Eu achei que ele fosse fazer sexo comigo, mas ao invés disso ele apenas retirou minha mordaça. Em seguida disse algo como "hoje você vai fazer o que você nunca quer fazer pra mim". Eu entendi o lance na hora e tentei desconversar, mas nada funcionou. Ele segurou meus cabelos e tentou forçar seu pênis na minha boca, enquanto eu tentava virar a cabeça e protestava dizendo "não", "pára com isso", "não quero", além de pressionar meus lábios com força.

Daí ele se valeu do método mais simples para forçar uma pessoa amarrada a abrir a boca: ele simplesmente tampou meu nariz. Com os lábios fechados, eu me sacudia como cavalo selvagem em arena de rodeio, mas chega uma hora que é impossível aguentar e eu tive que abrir a boca, ocasião que ele aproveitou para colocar todo seu pênis, ainda meio flácido. Fui obrigada a fazer sexo oral nele, sob ameaça de ele não me desamarrar. Não me restou alternativa senão fazer o que ele queria, um demorado blow job, como dizem os americanos. Ao final, ele ejaculou na minha boca, como ele tanto sonhava em sua fantasia masculina. A quantidade de sêmen me pareceu "excessiva", mas talvez fosse apenas minha repulsa quanto ao ato. Ainda fiquei um longo tempo "limpando os resíduos" no pênis dele e aqueles da minha própria boca, já que (ao contrário do que eu pedi) ele não me desamarrou imediatamente, para que eu pudesse ir ao banheiro me enxaguar. Felizmente ele era "limpinho". Todos os meus namorados sempre foram.

Foi uma experiência desagradável, mas felizmente não representou nenhum risco sério. Serve apenas como alerta para que a prática de bondage não seja feita com qualquer um, sobretudo com aqueles "contatos casuais" com que as pessoas se deparam na internet. Se com todas as minhas precauções, ainda assim isso aconteceu comigo, o que não deve acontecer com outras bondagettes que não seguem padrões estritos de avaliação dos parceiros?

3 comentários:

Anônimo disse...

achei interesante em um aspécto o que ocorreu com vc.. vc fez algo "a força mesmo" que em ultima anlise, ´o que quem gosta de bondage procura, mas no fundo tem medo... a própria posição de algemado/amarrado já é por si só "estar nas mãos de outro" que pode dar na louca de fazer o que quiser ... no fundo, acho que você gostou, ou estou engando? ameaçar de deixar lah assim... isso exita.

Aconteceu algo mais desse tipocom vc? depois de amarrada, alguém vei negociar algo com você?

Valeria Z. disse...

Você está enganado: nem no fundo nem na superfície eu gostei da experiência. Mas talvez você tenha razão em dizer que, para algumas(ou alguns) praticantes de bondage, o "fator surpresa" pode ser um elemento de excitação.

Eu só não diria que isso acontece com todas(os) as(os) bondagistas (e aí eu me incluo), porque essa hipótese não explicaria o prazer que se sente com o "self bondage". Explicando melhor: quando eu mesma me imobilizo, sem a participação de ninguém, eu também sinto tesão. Evidentemente há mais excitação em ser imobilizada por outra pessoa, até pela possibilidade de rolar sexo, mas mesmo assim eu fico bastante satisfeita com "self bondage", que exclui a possibilidade de "ansiar" pelo comportamento alheio. Não é o risco que me atrai no bondage, mas sim a própria imobilização e minhas tentativas de me soltar das amarras. Nos primeiros posts do blog eu explico melhor essa questão.

Quanto ao seu último parágrafo, não lembro de me terem proposto outras "negociações" após ser amarrada. Mas definitivamente eu já tentei "negociar" para tentar escapar de situações delicadas (digamos). Bjos e obrigada pela visita.

Eugenio Boluko disse...

Você já tentou negociar com uma mordaça entre os dentes, sem saber se está conseguindo se fazer entender?

Ou então, já negociou abocanhando a mordaça, mesmo conseguindo se fazer entender, vendo que seu companheiro na verdade se diverte com esse mico (quem mandou gostar de cordas e mordaça, heim, bondagette?)?

Essa pode ser uma sensação desesperadora e/ou até constrangedora para a bondagette, mas pode ser muito excitante para o homem, principalmente em se tratando de uma companheira que, numa situação normal, tem muito argumento.

Particularmente, até gosto, nestas horas, de ficar provocando minha companheira: "agora sim, pode brigar comigo, diz o que tu quer dizer, não consegue dizer? tá com vergonhinha, tá?" pra ver as reações, e até mangar das respostas atrapalhadas, sem contar que acho muito excitante a voz de uma mulher amordaçada entre os dentes.

Não precisa nem ser uma mordaça muito volumosa, é melhor até que seja um pouco fina, pra que ela consiga falar algumas coisas que, se ela estivesse solta, eu talvez não tivesse toda essa paciência do mundo pra ouvir he he he...

Beijos, e um abraço.

Com todo respeito e admiração,

Eugenio Boluko
eugenioboluko@gmail.com