sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Blasfêmias


Eu tenho todo respeito pela religião do meu atual namorado (como tenho respeito pela religião de qualquer pessoa) e até admiro sua constância em ir à missa todos os domingos. Mas não posso negar que eu tenho um prazer diabólico em testar sua fidelidade à doutrina católica em matéria de sexo, que por sinal é bastante relativa, pois a "conjunção carnal" fora do casamento é pecado para o Catolicismo. Eu sei que é blasfemo, mas adoro vê-lo mais próximo do inferno do que do paraíso católicos. Com não mais que meia dúzia de toques nos lugares certos e não há muitos homens que permaneçam numa atitude casta por longo tempo. A verdade é que frequentemente os hormônios masculinos falam mais alto do que as convicções religiosas, e é difícil para os homens manterem um mínimo de sensatez na área do sexo, ainda que alguns procurem cultivar uma certa dose de espiritualização. Não lembro se foi o escritor francês Georges Bataille que escreveu certa vez algo como "o melhor da beleza é conspurcá-la" (se bem que essa frase é digna dele). Acho que em certas circunstâncias eu diria o mesmo da santidade de algumas pessoas.

Enfim, não posso negar que me divirto com isso. Deve ser o meu lado Rê Bordosa, que às vezes vem à tona. Aliás, da personagem imortal do talentoso cartunista Angeli, eu lembro de uma frase bem típica: "Da Igreja Católica eu só quero o vinho e o pecado". Blasfemo, sem dúvida, mas que acerta no alvo.

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