sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Aline 2

Depois que Aline foi morar comigo, passei a conhecê-la melhor. Percebi que ela era respeitosa mas sem cerimônia, educada mas sem formalidade, aventureira mas sem agitação. Logo observei que compartilhavamos gostos semelhantes, tanto na música quanto na paixão por livros e nas artes em geral. Poderíamos ficar horas conversando sobre assuntos interessantes e elevados, sem pedantismo ou "disputas de ego".

Nossa identificação mútua não se restringia às questões intelectuais, mas também à parte física. Ambas gostavamos de malhar e praticar Artes Marciais, ainda que estilos diferentes.
Eu dizia que ela era uma mistura de gueixa com kunoichi, frase que sempre a fez rir. Se havia alguém que sintetizava à perfeição o binômio "crisântemo e espada", sem dúvida era ela.

Bonita, educada, gentil e com estatura acima da média nipônica, ela era o sonho de todo homem brasileiro e não foram poucas as vezes que ela fascinava as pessoas com sua beleza exótica e seus modos cativantes. Mas ao mesmo tempo em que ela podia ser delicada como uma pétala de flor, ela podia ser cortante como uma navalha, e essa dualidade sempre me impressionou.

Em determinada ocasião, meses após sua chegada, ela me avisou que havia arrumado um namorado, o primeiro desde sua chegada à cidade. Eu fiquei feliz e perguntei mais sobre ele, mas ela não tinha muito o que contar a respeito . Cheguei a conhecê-lo e notei que ele era mais novo do que ela. Simpático e novinho, era o que se podia dizer sobre ele.

Por essa época, em meio ao forte calor que fazia na cidade, eu percebi que Aline passava dias sem vestir um top ou um vestidinho de algodão dentro do ap., onde podia ficar à vontade. Ao contrário, ela se vestia com camisetas de manga longa, quase como uma garota grunge de Seattle. Isso me intrigou e até cheguei a perguntar se ela não se incomodava com o calor, recebendo em troca um sorriso e uma vaga negativa.

Até que comecei a perceber certas manchas "suspeitas" nos pulsos dela. Daí não resisti: certo domingo, na hora do café da manhã, resolvi partir para um ataque direto. Rapidamente peguei seu antebraço, puxei a manga da blusa e disse: "das duas uma: ou seu namorado franguinho é muito violento ou você é do babado". Ela sorriu e me respondeu simplesmente: "meu namorado não é violento". Daí veio a pergunta que não queria calar: "você curte bondage?". "Eu amo bondage", ela respondeu. E ambas caímos na gargalhada.

Quem nos visse naquele momento pensaria que éramos duas malucas, mas só então entendi o que meu ex-namorado quis dizer quando me falou que eu iria gostar dela "porque nos parecíamos", "porque gostávamos das mesmas coisas e de outras coisas além de ler". O safado não quis me dizer porque eu liguei para o trabalho dele, e certamente ele ficou sem graça de me contar naquela ocasião o motivo real das afinidades eletivas entre eu e Aline.

A partir daquele momento a nossa bela amizade atingiu um novo patamar, em que efetuamos descobertas prazeirosas e exploramos novas sensações. Mas isso é assunto para outro post.

3 comentários:

v. disse...

Mas você vai escrever o Aline 3 Agooooraa!!!hehehe
Beijo

LUIS disse...

Te mandei um email. Você viu?

Valeria Z. disse...

Vi sim, Luis, mas com um atraso de vários dias. Tem algo que eu não te contei: o e-mail que aparece na minha página do Orkut eu só uso pra receber mensagens do pessoal do Orkut e pra nada mais. Portanto, eu nunca ou muito raramente o abro.
Os amigos orkutianos que sabem disso e que me enviam algum e-mail, sempre me avisam sobre o envio na minha página de recados, pois do contrário eu posso levar muito tempo pra ler a mensagem.

Compreendo perfeitamente o que você escreveu sobre sua namorada e sobre viver numa cidade do interior. Ainda assim espero que você se divirta com o bondage. Bjs e obrigada pela visita!