quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Aline 5 - A Descoberta


Rolam por aí muitas histórias sobre ela. Dizem que ela fez um retiro espiritual onde aprendeu Meditação Vipassana, e ficou 10 dias sem pronunciar uma única palavra. Dizem que ela fez trekking na Chapada dos Veadeiros e a certa hora, enquanto parou para beber água, uma cobra coral atravessou a trilha e passou sobre seus dois tênis, sem que ela movesse um músculo sequer; depois continuou a beber água. Dizem que ela nocauteou um homem na África do Sul, que havia tentado violentá-la sem usar armas, a não ser as mãos e os pés. Dizem que ela fez uma patricinha metida a gótica experimentar uma sessão de bondage uma única vez, e a coisa foi tão hardcore que a guria voltou a ser patricinha na semana seguinte. Rolam por aí muitas histórias sobre ela, mas eu nunca consegui descobrir se todas são verdadeiras. Ou ao menos alguma delas.

Pois é, mesmo ansiosa por chegar o tão esperado dia em que Aline finalmente iria descobrir as maravilhas do nude bondage pelas minhas mãos, comecei a ficar um pouco preocupada com a questão da nudez. Será que ela não iria simplesmente desistir, por pura timidez? Será que ela iria ficar tão encabulada que iria "travar" na hora e, portanto, não iria aproveitar nada da experiência? Será que ela faria apenas uma única vez (somente para me agradar) e nunca mais repetiria a dose? Essas questões começaram a criar minhocas na minha cabeça, até que finalmente chegou o grande dia e eu resolvi desencanar.

O dia escolhido foi um sábado à noite, já que no dia seguinte não teríamos que acordar cedo. Dispensamos todo e qualquer programa, inventamos desculpas para todo mundo que nos ligou e até baixei a campainha do telefone. À medida que as horas iam passando eu ia ficando cada vez mais ansiosa, mas resolvi disfarçar e segurar a onda. Algum tempo depois do jantar, como num acordo tácito, resolvemos que havia chegado o momento. Ela pediu licença para entrar no quarto sozinha e depois me chamaria. "Tudo bem", eu disse tranquilamente, mas quase pegando fogo por dentro. A propósito, ela mesma havia escolhido as cordas e deixado no quarto.

Até que finalmente ela me chamou. Abri a porta e por algum ato reflexo, tornei a fechá-la. Ao contrário do que eu imaginei, ela não estava nua, mas vestida com um robe de seda preto, curto, com desenhos assumidamente orientais. Sentada na cama, ela se levantou e num gesto delicado abriu o robe, deixando-o cair no chão. Meus olhos contemplaram, então, uma imagem mais bela do que eu supunha: uma mulher linda, totalmente branca, sem um pingo de vergonha no olhar. Com naturalidade ela perguntou: "você gostou?" Só o que eu pude responder foi: "sim, você é linda". Ao que ela replicou: "e você vai me amarrar vestida?" Confesso que a pergunta me surpreendeu. Eu não imaginava que teria que também tirar a roupa, mas ela perguntou com tanta naturalidade que eu não consegui negar. Tirei minha blusa, minha bermuda e a calcinha e ficamos ambas totalmente nuas, olhando uma para a outra. Minha pele amorenada contrastando com a pele branca dela fazia um contraste bastante interessante.

Depois de se cansar de olhar para mim, ela se deitou de bruços, sem dizer uma palavra. Eu também não quis quebrar a magia daquele momento e tampouco disse nada, mas comecei a agir, amarrando delicadamente (mas com firmeza) seus pulsos e seus calcanhares. Por fim, uma venda, para potencializar as sensações do nude bondage, sem qualquer distração visual. Depois de tudo pronto, eu comecei a massageá-la começando pelos cabelos, descendo pelas costas, pela bunda (branca como um lírio) e pelas pernas, repetidamente. Em seguida, eu a virei de frente e passei as pontas dos dedos em seu rosto, como um cego ao tentar perceber uma imagem. Meu percurso continuou pelo peito, circundando os bicos dos seios e descendo pelas coxas. Tornei a virá-la de bruços e sussurrei ao seu ouvido: "agora tenta escapar".

Eu me sentei numa cadeira e fiquei vendo-a se mexer, a princípio lentamente, depois, com mais firmeza. Logo percebi que ao contrário de mim, que me movimento com a sinuosidade de uma serpente, ela se movimentava como uma sereia ou um animal marinho qualquer, que eu não soube definir. Não vou mentir para os meus queridos leitores: naquela hora eu quase morri de tesão. Só de lembrar daquela noite e narrá-la aqui eu já fico excitada. Pensei em me masturbar naquela mesma hora, mas decidi não gastar um orgasmo quando eu podia prolongar a sensação de prazer por mais tempo.

Depois de um bom tempo, ela já estava cansada e de bruços quando pediu: "por favor, me solta". Resolvi tirar onda de malvadinha, sentei ao lado da cama, fiz uma massagem em seus ombros e perguntei: "e se eu não quiser te soltar?". Ao que ela respondeu: "então é melhor você pegar meu strap e transar comigo até o sol nascer". (Ninguém consegue vencer Aline com as palavras.) Achei que a coisa estava ficando íntima demais (se é que isso era possível àquela altura) e decidi soltá-la e tirar-lhe a venda.

Ainda estirada languidamente na cama, ela me disse que havia adorado a experiência e que nunca mais iria praticar bondage com qualquer tipo de roupa. Eu perguntei se ela não estava dizendo aquilo apenas para me agradar, mas ela foi enfática e confirmou exatamente aquilo que eu sempre disse: praticar bondage estando totalmente nua é bem mais erótico e sensual do que com qualquer tipo de roupa, seja ela qual for. Me senti realizada, pois eu havia conquistado uma adepta para o meu fetiche. Durante nosso papo nem nos lembramos que estávamos ambas completamente nuas, tal o grau de intimidade que havíamos adquirido na ocasião.

Por fim, decidimos que ambas estávamos famintas e resolvemos "pescar" alguma coisa na geladeira. Enquanto comíamos um sanduíche ela me disse de surpresa: "da próxima vez vai ser você". Eu quase engasguei com o pedaço de pão de forma. Considerando que ela me deu a impressão de ser masoquista com os homens e sádica com as mulheres, eu fiquei com certo receio, a ponto de declarar: "tudo bem, mas nada de torturas; você sabe que eu não gosto disso". "Tá bom, eu serei uma boa menina", ela respondeu com um de seus olhares enigmáticos.

E aqui eu encerro temporariamente minhas lembranças sobre a única mulher que eu amarrei na vida e que eu permiti que me amarrasse. Eu tive várias outras experiências com ela, mas no momento não pretendo contá-las, porque senão o blog vai ficar monotemático e tem outras coisas que eu preciso contar, algumas muito importantes para mim. Além do mais, para narrar certas experiências que tive com ela, eu precisaria narrar primeiro a mesma experiência prévia que eu tive com algum namorado.

Portanto, despeçam-se da minha grande amiga Aline com um "até breve", não com um "adeus". Se ela estiver lendo este post (e eu sei que ela vai ler), espero que ela lembre daquela noite com tanto carinho (e com tanto tesão) assim como eu lembro.

3 comentários:

Anônimo disse...

Ola Valéria,
Faz algum tempo que penso em deixar meu comentário mas sempre acabo desisitndo.
Acompanho seu blog desde que o criou..o encontrei fazendo uma busca sobre bondagettes no google..rs
Por várias vezes pensei que não seria uma mulher pela maneira como descreve o desejo masculino de um homem amante da bondage pel mulher amarrada e amordaçada
Qunado leio seud relato encontro a bonagette imaginária da minha adolescência, a mulher que sentiria o estranho desejo que nasceu comigo ...a paixão pela bondage.
Não curto violência, humilhações, escatologia ou outras práticas bdsm..mas..por alguma razão enxergo na bondage..beleza..sensualidade..uma maneira de seduzir e encontrar prazer que poucas pessoas entendem.
Ver uma mulher se contorcer amarrada, soltando gemidos abafados pela mordaça é algo que simplesmente me enlouquece. Encontrar uma mulher que relamente aprecie isso é algo encantador.
No bdsm o que mais se encontra são subs ou escravas que se deixam amarrar pela submissão e não pela bondage em si e, a mim o encanto esta na mistura mágica de pele e corda..lábios e mordaças
espero sinceremanete que seja real..mulher..e bondagette
Infelizmente o destino não nos dara chances de ir além de letras em um monitor..mas adoraria poder pelo menos um dia tc contigo com calma.
Um beijo( no meio da mordaça..como é gostoso beijar um mulher amordaçada ...rs)

BASCO

Valeria Z. disse...

Basco,

Antes de mais nada, obrigada pela visita. É muito raro encontrar pessoas como você ou eu, que não gostamos de BDSM e tudo aquilo que o cerca, mas apenas do bondage em si. No Orkut eu cheguei a encontrar algumas pessoas muito legais que pensam como nós, mas são pouquíssimas. De fato, somos a minoria das minorias.

Quanto ao fato de eu entender a ótica masculina a respeito do bondage, isso é fácil de explicar. Eu sempre conversei muito com meus namorados bondagistas, não apenas antes das práticas, mas também depois delas, no mesmo dia e nos dias subsequentes. Eu sempre pergunto se eles gostaram, do que exatamente eles mais gostaram, qual foi a sensação que tiveram ao me ver imobilizada, essas coisas. Não vejo sentido em apenas eu sentir prazer na prática, mas quero que eles também sintam isso. Prazer compartilhado é melhor do que prazer solitário.

É por isso que eu escrevo de tal forma que pareço entender perfeitamente o desejo masculino nessa área, a ponto de você achar que sou um homem. Aliás, digo que você não foi o primeiro a achar isso (rs). Mas acredite: sou mulher, bondagette, não gosto de BDSM, e me preocupo não apenas com meu próprio prazer, mas também com o prazer dos meus namorados bondagistas. Bjs e volte sempre que quiser!

Anônimo disse...

Valéria,
Grato pela resposta e pelo alívio de ser uma bondagette(rs).
Você tem razão quando diz sermos a minoria das minorias. Somos hard demais aos baunilhas e soft demais ao bdsm e quer saber ainda bem pois isso nos torna ainda mais especiais.
Poucos ouvem a musica dos ummmphhhs de uma boca amordaçada, poucos enxergam a beleza sedutora de uma mulher amarrada, a graça única dos movimentos limitados pelas amarras...um balé para poucos
Passei boa parte da mi nha vida sem saber por que esperava cada episódio da Penélope Charmosa para ve-la amarrada, pq ficava horas nos sebos folheando revistas em busca de mulehres amarradas e amordaçadase a alegria que tinha (e tenho ) quando uma grande atriz aparece nessa situação.
Alías, com relação a belas atrizes amarradas e amordaçadas, cheguei a conclusão que quando as via assim, de alguma maneira era como se elas tivessem se entregando para mim,como se tivessem me presenteando sem saber ao permitirem ser amarradas.
O advento da internet me mostrou o que era meu "estranho desejo". Que não era único e que sim, podia dividir meu prazer pois, exixtiam mulheres que gostavam de ser amarradas. Mas, gostar de ser amarrada para ter tesão é uma coisa...entender e descrever em palavras meus sonhos adolescentes é outra bem diferente...
Por isso Valéria, obrigado mais uma vez por ser a bondagette que me alegra com seus relatos. Como te disse, infelizmente não terei a chance de ser um de seus namorados ´(às vzs me irrita os babacas que não sabem o tesouro que tem nas mãos)pois, o destino me presenteou com o amor de uma mulher com quem construi família mas...me cobrou o desejo da bondage em forma de fidelidade (nem todas sentem prazer em ser amarrada e como vc disse..bondage só é legal quando quem esa amarrada divide a magia desse prazer único)
Quem sabe em uma relaidade paralela não estamos tendo tardes, noites e madrugadas regadas a um bom vinho tinto, uma lareira trepidante, cordas de algodão brancas e algumas echarpes de seda..rs
Bjus na mordaça bondagette

Basco