domingo, 26 de dezembro de 2010

A experiência mais sensual


Dois posts atrás eu mencionei que a experiência mais sensual que eu havia tido aconteceu quando eu estava amarrada a uma cadeira, e ainda observei haver escrito sensual e não sexual. Três posts atrás, por sua vez, eu mencionei um namorado inesquecível que eu tive e que foi o primeiro a me imobilizar em uma cadeira. Pois bem, vou contar a seguir a história que mencionei na primeira frase e cujo responsável foi o indivíduo que mencionei na segunda frase.

Uma vez que esse namorado foi o primeiro a me iniciar no "bondage em cadeiras" (por assim dizer), ele me imobilizou em tipos diferentes de cadeiras, tanto dentro da casa dele quanto nos jardins da casa e, eventualmente, no meu próprio ap. Certo dia, ele que gostava de experimentar coisas novas, me ligou numa manhã de sábado pedindo que eu fosse à casa dele no comecinho da noite, para por em prática uma idéia que ele havia tido sobre bondage. Perguntei se eu precisava levar alguma coisa e ele disse não, que ele mesmo providenciaria todo o necessário. Nem preciso dizer que depois de desligar o telefone eu não consegui me concentrar direito em nenhuma das tarefas cotidianas que eu fazia, apenas na expectativa altamente erótica do que iria acontecer comigo.

Fiz tudo o que tinha que fazer pela manhã, descansei bastante após o almoço e me preparei adequadamente para minha futura sessão de bondage. Na hora que julguei conveniente, fui à casa dele, com o coração aos saltos, mas controlando minha ansiedade. Chegando lá fomos a uma saleta e eu percebi que ele havia aproximado a mesa de vidro às portas envidraçadas que se abriam para o jardim. Numa cadeira na cabeceira da mesa, ele havia colocado uma cadeira de braços e perguntou se eu gostaria de ser imobilizada nela. Como eu não sou de recusar uma boa sessão de bondage, eu topei, mesmo não parecendo nenhuma novidade para mim, a não ser a disposição dos móveis.

Dessa forma, tirei toda minha roupa, sentei-me, obediente, e me deixei imobilizar naquela cadeira. As cerejas do bolo foram uma venda, que não me permitiu ver absolutamente nada do que se passava ao meu redor, e uma mordaça. Quando tudo estava pronto, só o que me restava era fazer leves movimentos na cadeira, como se eu estivesse tentando me soltar. O tempo passou e eu continuava ali, imobilizada. Como escutar era a única coisa que eu podia fazer livremente, comecei a prestar atenção aos ruídos da casa: barulho dos passos dele, sons indistintos ao longe, e uma campainha, que me deixou um pouco sobressaltada. E se fosse uma visita inesperada, como ele conseguiria me soltar a tempo? Confesso que a idéia me deixou excitada, mas os meus "temores excitantes" não se concretizaram.

Até que em determinado momento eu percebi pelos sons que meu namorado estava preparando a mesa. Para quem já estava com fome, como eu, nada mais bem vindo do que uma refeição. Minha expectativa aumentava, e enquanto ele preparava tudo eu procurava me distrair tentando adivinhar os odores que vinham da mesa. A certa altura, ele ligou o som e das caixas saíram notas inconfundíveis vindas de instrumentos orientais como shamisen e koto misturados com música eletrônica leve. O mistério parecia prestes a se revelar para mim. Então ele retirou delicadamente a mordaça, e ao tirar a venda... voilá! Na minha frente estava uma refeição japonesa completa, com gyoza, sushi, sashimi, tempurá e tudo mais que a imaginação nipônica poderia conceber. Para acompanhar, um bom vinho branco, já que ele sabia que eu achava sake muito forte.

A idéia inovadora sobre bondage que ele queria colocar em prática era exatamente essa: uma refeição a dois, estando eu imobilizada. Como ele sabia que eu era apaixonada por culinária japonesa e também por bondage, a união das duas coisas foi o melhor presente que eu poderia ganhar. Foi portanto ao som ambiente de chill out music que jantamos magnificamente, com vista para o jardim e conversando sobre mil e um assuntos. Eu, completamente nua e imobilizada na cadeira, era alimentada por ele com hashi a intervalos regulares. Como eu estava totalmente dependente, ele também me trazia a taça de vinho e enxugava meus lábios. Uma ou outra vez, ele molhava o sushi no molho shoyu e o esfregava nos bicos dos meus seios antes de comer, ou de me oferecer. Depois ele mesmo limpava meus seios, com os lábios e a língua, demorando-se mais do que o necessário. Nessas horas eu juro que me sentia derreter.

Depois de um longo tempo, ficamos satisfeitos antes de acabar com todas as comidas, enquanto o vinho há muito já havia sido tomado. Ele finalmente me soltou e terminamos a noite no quarto dele, fazendo sexo tão demoradamente quanto o estilo da refeição merecia. Aquela noite eu virei uma verdadeira gueisha e acabamos por ver as primeiras claridades do sol que nascia. Não sem antes, em um dos nossos "intervalos", comer um pouco mais daquela magnífica comida japonesa, a título de lanche da madrugada. Naquela ocasião, como em muitas outras, eu acabei passando o fim de semana na casa dele, transando, assistindo a vídeos e comendo sobras da geladeira. Naquele dia, e por extensão naquele findi, eu fui muito feliz.

Talvez os homens que possivelmente leiam esse relato não achem nada tão sensual assim, como eu descrevi inicialmente. Homens são normalmente mais diretos, objetivos, visuais, enquanto nós mulheres somos mais sinestésicas e é por isso que eu considero que aquela foi a experiência mais sensual que já tive na vida. Aos eventuais leitores masculinos que porventura tenham a felicidade de namorar uma mulher que goste de bondage (muito raras, eu sei...), fica aqui a dica: comida e bondage são uma combinação altamente erótica e um bom presente para a parceira, caso ela tenha criatividade. E nem precisa ser comida japonesa, pode ser italiana, brasileira, etc. O importante é combinar duas experiências de prazer.

7 comentários:

Cristóvão disse...

Cara Valéria,

De longe esse é o seu post mais sensual (para mim bateu até a história da Aline).
Demorei um pouco para fazer este comentário por que estava tentando recuperar a lucidez... :)
Só posso dizer que não entendo esse seu ex e que a sensualidade tem pouco a ver com gênero, mas mais com cultura. Não se esqueça de qual é o maior orgão sexual do corpo humano, e que como todo músculo precisa ser exercitado!
Minha parte favorita é o quarto parágrafo. Supressão de sentidos e imobilização disparam a imaginação e tudo fica mais intenso. Só fiquei chateado por você achar que as mulheres tem percepção sinestésica maior que a dos homens... Isso é misandria! (leve)
Não se esqueça de que foi um homem que te proporcionou esta experiência sensorial

Valeria Z. disse...

Confesso que eu não sei se eu li a respeito, se foi fruto da minha experiência pessoal ao longo do tempo ou se é uma percepção coletiva, mas ainda acredito que as mulheres são mais sinestésicas do que os homens. Os homens que conseguem proporcionar tais experiências para as mulheres, esses são especiais. Bjs!

ACM disse...

Bela experiencia.
Bem relatada, riqueza de detalhes, tudo que um louco por bondage gostaria de ler.
Como é bom pesquisar e encontrar bons espaços na rede...

Parabéns

ACM :)

Misty disse...

Arrasou na chiqueza mais uma vez, amiga... O máximo que eu já fiz de parecido foi com um sanduíche de motel, hahaha!
Acho que um dos motivos da conversa em particular, vip, é não encontrar parceiros criativos com frequência. A gente acaba meio que desistindo, sabe...
Fico feliz, tb, por alguém ter a paciência de manter um blog assim, já que desisti do meu... Obrigada pelo serviço prestado à comunidade bondagista!

Misty disse...

Quis dizer: um dos motivos DAQUELA conversa em particular, a conversa lá na vip.

Valeria Z. disse...

Dizem que cozinha de motel é tão imunda que se nós soubessemos como é na verdade, não pediríamos nem um copinho fechado de água mineral (rs).
Eu tive outros jantares como esse, inclusive com culinárias diferentes, mas nas outras vezes eu não estava vendada, pois não havia mais o "elemento surpresa". Infelizmente só pude ter experiências assim com aquele namorado específico, o que me faz concordar com você quanto à ausência de parceiros criativos no bondage. Bjs e + bjs!

Misty disse...

Nem quero pensar no item "limpeza de motel". Pelo menos, nunca entrei numa banheira deles! Hahaha!
Bjs!