sexta-feira, 11 de março de 2011

Bondage em terremoto


Quem me acompanha neste singelo blog sabe que eu não costumo associar prazer a dor, mas sem dúvida eu não consigo dissociar fetiche a segurança pessoal. Lembro isso porque hoje eu assisti àquelas cenas horríveis do terremoto no Japão e meus pensamentos bizarros me levaram a imaginar como seria se um fenômeno assim acontecesse enquanto uma pessoa estivesse em bondage (ou em shibari, já que se trata do Japão). Confesso que gelei só de imaginar a cena.

Acrescentar aos riscos inerentes à prática do bondage um perigo externo do qual nem você nem seu eventual parceiro tem qualquer parcela de culpa deve ser algo terrível. Fiquei imaginando o que aconteceria se eu estivesse no Japão (país e cultura que eu amo de paixão) e um terremoto acontecesse bem no meio de uma prática de bondage. Se o teto caisse e matasse meu eventual parceiro, quem iria me soltar? E se todo o prédio caísse e eu estivesse sozinha, presa debaixo dos escombros, totalmente imobilizada? E se, num tributo à Lei de Murphy, eu estivesse amordaçada na ocasião, como eu poderia gritar e avisar à equipe de resgate que eu estava soterrada? Inteiramente nua, sentindo frio, fome, sede, sem poder me mexer... que pesadelo! Tudo bem que seria o menor dos males, mas também não posso deixar de pensar na vergonha mortal que eu sentiria se a equipe de resgate me encontrasse daquele jeito.

Por mais pessimistas que sejam essas hipóteses, elas não são absolutamente impossíveis de acontecer num país como o Japão, em que terremotos são uma ocorrência comum e onde é histórica a existência de adeptos do shibari (ou kinbaku, como queiram). A bondagette tem que ser muito azarada para passar por uma situação dessas, mas acidentes podem acontecer com qualquer praticante. Bem, tirando esses pensamentos fetichistas, desejo que o Japão se recupere logo dessa tragédia tão horrível.

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