quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

A importância do discurso adequado - parte 2


Ainda sobre a questão do discurso adequado, eu gostaria de mencionar mais algumas expressões perfeitamente dispensáveis ou mesmo infelizes, que não deveriam ser pronunciadas pelos homens na hora do sexo, desta vez exclusivamente sob um prisma pessoal.

Em primeiro lugar, eu defendo a ideia de que os homens deveriam evitar fazer perguntas durante as preliminares sobre o que eles podem fazer na hora H. Eu sei que é fofo, que demonstra preocupação em não magoar a parceira, é politicamente correto, mas para mim confesso que é meio chatinho. Ficar perguntando "posso chupar seus peitos?" ou "posso lamber sua bunda?", corta um pouco o tesão, pois me obriga a ficar respondendo com certa regularidade, o que me desconcentra com relação ao que eu estou sentindo. Se o carinha quer fazer algo, então que faça de uma vez, mas não fique avisando com antecedência. Se eu não gostar, eu digo ou uso minhas mãos para impedi-lo.

Pelo mesmo motivo anterior, perguntar reiteradamente se está doendo também não é muito adequado, pois se estiver eu peço para parar na hora, e se não estiver isso me obrigará a ficar respondendo "não" com certa regularidade. Nem preciso dizer que detesto essa pergunta se ela for retórica, ou seja, se o cara sabe que está infligindo dor à parceira e fica perguntando isso, é sadismo da parte dele, porque se satisfaz em contemplar a dor da mulher e a pergunta, portanto, serve apenas para aumentar sua excitação. No sexo anal, por exemplo, tenho vontade de bater em quem me faz essa pergunta.

Outra coisa de que eu não gosto (e que acho breguíssimo) é dar apelidos pessoais (ou supostamente carinhosos) aos órgãos genitais humanos. Não adianta, não existe jeito adequado de se designar os órgãos genitais, sejam masculinos ou femininos. Neste caso, ou o nome é científico, ou é vulgar ou é ridículo. Se por alguma razão o homem sentir necessidade de dizer o nome dos órgãos genitais na hora do sexo, até prefiro que use um termo vulgar a usar um apelido pessoal, supostamente engraçado. Se eu escutar algo assim, das duas uma: ou eu volto os olhos para cima e dou um suspiro de desalento (o que é mais provável) ou pode ser que eu ache engraçado e caia na gargalhada, o que quebraria todo o clima. Melhor não arriscar.

Por fim, o homem nunca deveria dizer "eu te amo" - no momento da transa ou em qualquer outra circunstância - se não estiver realmente sentindo isso.

Repito que não quero reprimir a espontaneidade masculina, mas apenas apresentar minha posição pessoal a respeito do assunto. Também não significa que eu fique absolutamente muda na hora do sexo ou que fique contrariada com qualquer coisa que meu parceiro diga, não é bem assim. Mas o bom é deixar rolar, porque nessa hora as palavras são perfeitamente dispensáveis.

4 comentários:

Rodolfo disse...

Oi Valéria, Bom dia!
Entendi perfeitamente o que você quis dizer. Vamos ser verdadeiros e deixar as frescuras de pseudo sedução para outra hora. Não costumo falar muita coisa, eu acho que neste momento do amor, se a gente quer estar com a pessoa e não está apenas porque aquela é a transa do dia, a parceira(o) se sente mais valorizada(o) com a nossa respiração e excitação do que com qualquer coisa qeu se diga.

Nomad disse...

Oi Val, provavelmente essas coisas acontecem pq a maioria dos homem aprendem sobre sexo vendo em filmes porno... e esses dialogos, nesses casos, existem para dramatizar um pouco a cena... algo como narrar uma partida de xadrez.
Não sei se acontece com vc, mas algo que me broxa é mulher "treinadora", que fica dizendo o tempo todo: sobe, desce, vem, mais rapido, devagar, vira... Tambem conhecida como manobrista... bem mas para esses casos, uma ballgag resolve...
E como diria o meu avô: "na hora da comida não se fala"

Valeria Z. disse...

Rodolfo,

Concordo com cada palavra que você escreveu. Bjs!

Nomad,

Realmente parece que muitos homens são mais influenciados por filmes pornô do que se imagina. Isso deixa a transa muito artificial, porque o que funciona nos filmes nunca ou raramente funciona na vida real.

Achei muito engraçado o "treinadora" e "manobrista", mas foi bem exemplificativo do tipo de papo que deve ser tão chato para os homens quanto é para as mulheres (pelo menos para mim). Taí uma coisa que eu esqueci de mencionar nos dois posts, pois acho isso muito cansativo. Parece que você está no Exército ou num acampamento de férias. Esses comandos tiram bastante a espontaneidade da transa. Bjs!

Misty disse...

Esse aprendizado via filmes pornô é bem visível, viu... sério, me dá vontade de rir :/