quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Sadomasoquistas sem noção


Ontem, ao voltar do trabalho, liguei a TV para dar um descanso ao cérebro e me deparei com uma notícia bizarra num telejornal de São Paulo. Uma professora universitária de Anatomia e doutoranda da USP, juntamente com o namorado, montador de computadores, foram presos sob a acusação de pedofilia (tipificação penal que, diga-se, não existe no Código Penal brasileiro). Ambos eram adeptos do BDSM e foram acusados de atrair uma garota de 14 anos para práticas sadomasoquistas e depois filmá-la (daí a acusação). De acordo com a polícia, eles aliciavam pessoas na internet, em fóruns específicos, e essa garota não teria sido a única menor de idade a ser filmada pelos dois.

Eu não sei se eles são pedófilos ou simplesmente idiotas para protagonizar uma sessão de sadomasoquismo numa guria de 14 anos. E não venham me dizer que "uma garota de 14 hoje em dia tem o corpo de uma de 18" ou que "ela já tem maturidade para essas coisas" ou mesmo que "essa sessão foi algo consentido". Tudo isso é bobagem. Por mais torto e confuso que esteja o mundo, alguns critérios têm que ser mantidos, e submeter uma menina de 14 anos a uma sessão de BDSM é uma total falta de noção. Se ela tem mesmo desejos fetichistas, aí está um espaço que poderia ser preenchido pelo bondage não-sadomasoquista (ou Love Bondage, como queiram), mas nunca naquela idade com dois parceiros desconhecidos que conheceu pela net. E se os dois sem noção fossem psicopatas perigosos ou mesmo principiantes na coisa? Nem quero imaginar...

Daí porque eu não sou tão otimista quanto ao sucesso do livro "Cinquenta Tons de Cinza", de autoria da escritora inglesa E.L. James. Há quem diga que esse livro vai tirar do bondage o seu caráter obscuro e mal visto perante a sociedade, que vai fazer os bondagistas "saírem do armário", que vai popularizar o bondage e assim aumentar o número de pessoas que querem ser amarradas, etc, etc. Pode até ser, mas o meu receio é que a popularidade do livro traga, como efeito colateral indesejável, um aumento no número de pretensos "dom", "sub", "escravas" (ou seja lá qual for a terminologia usada no universo BDSM) que passem a se achar "os mestres na arte do bondage" apenas por terem lido a trilogia de E.L. James e por terem acessado um ou outro site na internet. Noobs e wannabes se metendo, talvez, a fazer breath play ou water bondage me parece assustador, não importa quão consensual seja a prática. Espero estar enganada quanto a isso.

Seja como for, espero que o "casal BDSM" seja punido de acordo com a lei. Aliás, observando as fotos da doutoranda, bem que a professora de Anatomia podia cuidar melhor da própria. Fui maldosa, eu sei, mas às vezes sou assim mesmo. Ainda mais com a turma do chicotinho e da masmorra fake.

2 comentários:

Diogo disse...

Olá Valéria.
Eu tenho um blog sobre literatura e outras artes e também um podcast onde costumo comentar algumas notícias voltadas a política, educação, criminalidade, etc.
Gravamos via Skype, e essa notícia me despertou o interesse, porém não posso dizer que eu seja um especialista nesse determinado assunto e estou buscando pessoas que possam falar com propriedade sobre esse e outros acontecimentos ligados.

Caso se interesse ( não apenas nessa edição, mas em edições futuras talvez) pode escrever para : cadeia@cachorrosolitario.com

Até Mais

Valeria Z. disse...

Diogo, eu agradeço muito, mas a necessidade de manter minha privacidade pessoal (por razões profissionais e familiares) me impedem de aceitar seu convite. Mesmo assim, agradeço a gentileza. Bjs!