segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Alternativa


Não lembro há quanto tempo estou fazendo isso, mas parece uma eternidade, pois eu - que estou em ótima forma física - tive de mudar de posição mais de uma vez por motivo de conforto muscular. De fato, estou fazendo um verdadeiro exercício aeróbico, que não sei como eu e ele aguentamos, por razões diferentes. Nunca pensei que um mero sexo oral pudesse durar tanto, mas a verdade é que eu o subestimei, e agora estou aqui, movimentando minha cabeça com velocidade superior à normal nessas circunstâncias e tendo os cabelos puxados como uma crina num cavalo sem rédeas. 

Lilith é testemunha de que nunca me neguei a fazer sexo oral em nenhum dos meus parceiros, mas como parte das preliminares, não como alternativa ao sexo, de duração tão longa como as relações sexuais "tântricas" das quais ele parece ser adepto fiel. Por isso estou aqui, chupando-o há um bom tempo, uma vez que ele só ejacula quando quer. Na verdade, não posso me queixar, pois esse "felatio de longa duração" foi escolha minha.

...

Tudo começou num dia em que ambos estavamos descansando, eu de bruços. Depois de algum tempo, ele começou a alisar minha bunda, um dos esportes masculinos favoritos depois do futebol. Até aí, tudo bem; aliás, tudo ótimo. O problema é que em dado momento ele começou a enfiar seu dedo médio na área mais proibida para mim em matéria de sexo do que a Área 51 é para o governo americano em termos militares.


Imediatamente virei de lado, afastei o braço dele e protestei, de cara feia:

- "Que é isso?? Tá maluco??"

- "Porque? Machuquei você?"

- "O que você acha? Que uma dedada é tão boa como uma caixa de chocolates?"

- "O que eu acho é que devíamos experimentar coisas novas."

- "Toda vez que um homem fala em "experimentar" em matéria de sexo, sempre sobra pra mulher. Fala logo, você quer me comer por trás, não é?"

- "Você nunca fez anal?"

- "Já fiz e odiei! E nem vem com papo de "você nunca fez comigo"..."eu faço com calma", porque não adianta. Não gosto, não sinto prazer e não vou fazer só pra te agradar. Nem em sonho você vai fazer anal comigo, tá entendendo?"

- "Calma, tá bom, já entendi. Mas... alguma coisa diferente você podia fazer pra mim."

Numa fração de segundo eu pensei em bondage, e em contar-lhe todos os meus "segredinhos", mas desisti. Se ele transar comigo imobilizada como ele transa normalmente, estou no sal. Fiz cara de monge budista, adocei o tom de voz e perguntei:

- "Que coisa diferente? Pensei que você estivesse satisfeito comigo."

- "E estou, muito. Pode acreditar. Mas bem que você podia...sei lá, fazer um boquete..."

- "Mas isso eu já faço, toda vez antes que a gente transa." Repliquei com sincera estranheza.

- "Eu sei , mas eu tô falando em algo assim...diferente."

- "Diferente em que sentido? Admita que isso não é uma coisa que possa variar muito, a não ser de lugar. Só se eu fizer no teto, num andaime de edifício, por aí."

- "Não é disso que eu tô falando", ele explicou, sorrindo."O que eu quero dizer é que, de vez em quando, você podia fazer isso como se fosse nossa transa."

- "Deixa ver se eu entendi: você quer que, de vez em quando, eu te pague um boquete como substituto à transa, é isso?"

- "Sim, mas só uma vez ou outra. Se você engolir, então, vai ficar perfeito.", ele concluiu com um sorriso quase ingênuo. Quase.

Fundo suspiro da minha parte. Lá vou eu engolir esperma como se fosse batida de coco; e ainda limpar o canudo (para continuar com as metáforas ruins). Essa fantasia exclusivamente masculina é mais um dos aspectos incompreensíveis do que se passa na mente do sexo oposto. OK, tudo por uma boa causa. Além do mais, dizem que faz bem para os cabelos.

- "Tá bom, não tem problema. Isso eu posso fazer."

Ele ficou felicíssimo, e eu me sentindo a mais caridosa das criaturas. No fim das contas achei que também foi bom negócio para mim. Pode parecer meio brega (e é mesmo), mas digo que sacrifiquei minha boca para salvar minha bunda.

O que eu não imaginava é que ele fosse utilizar a mesma técnica tântrica de retenção da ejaculação que ele usa na hora de transar (o que faz com que a prática leve uma eternidade para chegar ao fim), nem que ele fosse transformar uma simples felação num "rough sex", com direito a puxões ritmados de cabelo.
 
...

E é por isso que agora estou aqui, quase engasgando, cansada, protagonizando um sexo oral que não tem hora para acabar. Bem cantou a Marisa Monte: "o que é que a gente não faz por amor".



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